Resenha de "Um Romance Grego"

Com mais de 20 anos de experiência na televisão, Yvette Manessis Corporon recebeu um Silurian Award de Excelência em Jornalismo e ganhou o Emmy Award de melhor produtora e roteirista. No momento, ela é a produtora sênior do programa EXTRA do grupo News de entretenimento e Um Romance Grego é o seu livro de estréia.
"Aquela era outra das tradições preciosas de Yia-yia e Daphne. Elas costumavam se sentar juntas, lado a lado, tomando uma xícara de café atrás da outra para Yia-yia poder ler os grãos e dizer a Daphne o que o futuro reservava para ela. Muitas vezes, Daphne também tentou. Ela levantava a xícara diante do rosto, virando-a de um lado para o outro. Mas onde Yia-yia via pássaros voando, longas estradas sinuosas e corações jovens e puros, Daphne nunca via nada além de uma lama preta."
Filha de gregos, Daphne sempre dividiu sua vida entre Nova Iorque e a pequena e recôndita ilha grega de Erikousa. Suas melhores lembranças da infância e adolescência foram passadas na Grécia junto com sua yia-yia, a avó que lhe contava histórias e mitos enquanto comiam no pátio da casa antiga, depois que ela havia se banhado no belo mar Jônico.

Anos depois, os mitos e as histórias fantásticas ficaram para trás e uma avalanche de problemas destruiu seu mundo de sonhos. Com pouco mais de 30 anos e viúva, Daphne é a dona e chef do restaurante Koukla e tem uma vida estável com a filha Evie, de 5 anos. Além de estar noiva do rico e imponente Stephen. Finalmente o recomeço pelo qual ela tanto ansiava, desde a morte de seu grande amor Alex, está se concretizando.

Para ficar perto de yia-yia durante a cerimônia de casamento, Daphne decide se casar em Erikousa e transfere todos os preparativos para a misteriosa ilha. Chegando lá com Evie, ela é atingida pela melancolia ao reencontrar Popi, Nitsa, sua yia-yia e tantos outros - tios, tias, primos e primas - que, de alguma forma, fizeram parte de sua vida.

Como Stephen demoraria alguns dias para chegar, a Amerikanida distancia-se um pouco de seu casamento e mergulha mais uma vez na mágica rotina da ilha, aproveitando cada segundo com Evangelia (a avó/yia-yia) e Evie, que agora se mostra muito mais feliz e descontraída. O antigo brilho de Daphne volta aos poucos, exceto quando conhece e é obrigada a conviver com Yianni, um amigo de sua yia-yia, que ora finge não vê-la, ora debocha dela.

Todavia, a viagem não serviria apenas para reencontrar pessoas queridas e ser a ponte entre a vida de viúva e recém casada. Ao retomar o convívio com a avó, Daphne percebe que seu passado, presente e futuro se misturaram e ela precisa lidar com fatos recém descobertos, que vieram à tona para lhe assombrar. Com um turbilhão de sentimentos em sua mente e coração, contrastando com a calmaria da ilha, ela terá de encontrar a si mesma e, mais do que isso, redefinir seus objetivos e valores.
"- Nós duas vimos a diferença em você desde que chegou. Quando veio para cá, era como se sua luz tivesse se apagado. Mas então nós vimos a mudança. Após alguns dias aqui, você estava de novo cheia de vida, de cor e luz. Eu sei que você acha que nós não entendemos essas coisas. Como poderíamos entender de cor, nós, velhas viúvas vestidas de preto? Como poderíamos entender de vida quando nunca saímos desta pequena ilha? Mas nós entendemos de tudo isso, Daphne. Nós sabemos o quanto tudo isso é precioso. Cada momento é um presente, Daphne mou. Cada momento, cada respiração, até mesmo cada lágrima é um presente. Sem nossas lágrimas, como iríamos apreciar o riso? [...]" (Nitsa)
A história narrada em terceira pessoa transporta o leitor para um cenário simples, porém paradisíaco, repleto de personagens despretensiosos e únicos. Eles têm manias e trejeitos dramáticos, são fofoqueiros, extrovertidos, altruístas e vivem uma vida simples, mas plena. Há uma aura mágica ao redor deles e da própria ilha (que foi personificada e dá vida aos seus habitantes) que torna ações e detalhes corriqueiros em algo essencial.

Outro ponto deveras interessante é a importância da culinária na cultura grega. Aliás, a comida e, principalmente, sua preparação são presenças constantes na narrativa. A descrição é tão meticulosa e bem feita que, durante a leitura, foi impossível não ficar com vontade de experimentar as deliciosas receitas de Yia-yia e Nitsa - quero um restaurante grego ao lado da minha casa, sério!

Evangelia é claramente o ponto de equilíbrio e união da história; através dela, de sua fé e seu dom que a trama se desenvolve. No fim, apesar da simplicidade pálpavel, yia-yia mostrou-se como uma mulher forte, de personalidade e firme em suas crenças e convicções. Um grande exemplo de ser humano e uma avó adorável. A propósito, o lado mágico, místico e misterioso da narrativa é abordado por e através dela.

Conhecem a expressão "o pior cego é aquele que não quer ver"? Daphne se encaixa perfeitamente nessa categoria. Coisas óbvias, ela ignorava, ou melhor, preferia ignorar e viver numa ilusão ou casar apenas para não ficar sozinha. Porém, o fato que mais me incomodou foi a descrença diante uma confissão da avó, pois a demora em acreditar na magia da situação foi bem maçante. Além disso, achei que o dom de Daphne deveria ter sido aprofundado, visto que ficou muito mais claro no caso de yia-yia. Por outro lado, a protagonista é carismática e muito leal à família, (re)aprendendo diante as dificuldades e amadurecendo.

Os personagens secundários, como Popi (a prima feliz), Nitsa e Yianni, são um prato cheio para o leitor, pois divertem e/ou têm bons conselhos para dar. Apesar de ser apenas uma criança, Evie transpareceu uma percepção bem mais aguçada do que a própria mãe em alguns momentos. Ela era uma menina tímida e se incomodava com a ausência de Daphne, que estava sempre trabalhando, e quando chegou em Erikousa, desabrochou e tornou-se mais viva e confortável com tudo e todos. Já Yianni é um pescador por escolha, que parou sua tese da pós graduação para resolver assuntos inacabados na ilha, e mostrou-se como um homem sensível e um grande amigo. Stephen não me convenceu, pois percebe-se de imediato que ele é um capitalista metido sem coração.

Um Romance Grego vai além daquele clichê de duas pessoas apaixonadas, ele mostra que o amor está em toda e qualquer relação (mãe-filha, avó-neta, entre irmãos, primos e amigos). Mais do que isso, a história fortalece a ideia de que há amor em todo lugar: está nas pequenas tarefas cotidianas, na gentileza, ao ajudar alguém ou espalhar boas ações, no nascer do sol, num dia frio, na natureza, na preparação de alguma receita especial, etc.

Apesar da obviedade de alguns acontecimentos, Yvette escreveu uma história carismática, acolhedora (como um abraço da yia-yia) e ainda fez uso de fatos históricos e até mesmo pessoais - visto que alguns diálogos giram em torno da Segunda Guerra Mundial e sua família é de fato grega. O último capítulo do livro me surpreendeu, mas depois do momento de estupefação e uma pausa para pensar sobre, acabei gostando bastante do desfecho. Cabe ressaltar que alguns capítulos são flashbacks da infância e adolescência de Daphne.

Gostei da escolha da capa, pois combinou harmoniosamente com a descrição da ilha. Além disso, encontrei pouquíssimos erros de revisão e a contracapa azul é um charme. Minha única ressalva foi o título em português (em inglês: When the cypress whispers), visto que o original fez bem mais sentido após a leitura. Porém, acredito que se a tradução tivesse sido feita ao pé da letra, o título não ficaria tão convidativo. 

Querem saber como será a aventura de Daphne por Erikousa e conhecer um pouco da cultura grega? Participem do sorteio (aqui).
  • Escrito por Yvette Manessis Corporon.
  • Editora Fábrica 231.
  • Tradução: Léa Viveiros de Castro.
  • 286 páginas.
  • Disponível em todas as livrarias.
  • Recomendo. :)
*Exemplar para resenha.

33 comentários:

  1. muito bom , gostaria de saber o final.

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  2. Oi, Rafa!
    Me ganhou quando falou que tem comida hahahahaha
    Me parece um livro bem leve e gostoso de ler. É um gênero bem distante dos que eu normalmente leio, mas todo mundo precisa de uma escape! Quero! ruerue
    Beijos!

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  3. Rafa, que resenha mais fofa!
    Olhe, só pela capa e pelo título eu já fiquei interessada (impossível capas fofas não me chamarem atenção), aí fui lendo e acabei ficando curiosa.
    Os personagens parecem ser extremamente interessantes e muitas vezes eles são os principais responsáveis por eu gostar ou não de uma história.
    Comida, é? Huum, eu gosto muito! hahaha Ainda mais a culinária grega que é deliciosa!
    Beijos
    Coisas de Meninas

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  4. Oi, Rafaela! Adorei a sua resenha! Mesmo o gênero do livro não sendo o meu favorito, você me convenceu a ler "Um Romance Grego"! :D Parabéns pela resenha!

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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  5. Heey!
    Eu nunca li nada que tivesse relação com a Grécia, acho que vou dar uma chance para o livro, pois, mesmo não sendo meu gênero, adorei a premissa haha
    Abraços!
    Blog - Desbravando o Infinito

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  6. Oi Rafaela!
    Não conhecia o livro, mas achei a história bastante interessante. Não conheço muito a cultura Grega e adoraria saber mais sobre ela. Acho que esse livro será uma ótima pedida.

    Beijos,
    Epílogos e Finais

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  7. Poxa que livro legal, não conhecia agora estou doida para ler HSUAUH Adoro esses livros gostosinhos de ler e que nos levam para outro lugar, com outras culturas e ainda nos deixa querendo visitar o local.
    Beijoos,
    Sétima Onda Literária

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  8. Gostei bastante da resenha, tinha visto a capa deste livro mais não conhecia do que se tratava, acho que certamente ia gostar desse leitura!
    Bjs
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  9. Oi Rafa!
    Essa história me parece encantadora, adoro romances onde a pessoa retorna à sua terra natal e redescobre a si mesma, e começa a trabalhar o seu passado de forma a contribuir para a construção de um futuro melhor. Acho que irei amar o livro e senti um "quê" de Nora Roberts no clima da resenha (com a diferença que a Nora trabalha mais suas tramas na Irlanda), então fiquei curiosa pra saber se a escrita da Yvette tem alguma semelhança com a dela.
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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  10. Rafaela!
    A cultura Grega é muito rica mesmo e fico feliz em saber que a autora conseguiu reunir fatos históricos, culinária, descrição dos locais paradisíacos e amor, tudo em um único livro.
    O berço dos deuses a Grécia traz um certo mistério e misticismo, como podemos encontrar em uma das protagonista.
    Fiquei mais que curiosa pela leitura.
    “O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.”(Mario Quintana)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  11. Já estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse e porque curto muito a cultura grega e agora depois de ver essa resenha fiquei ainda mais ansiosa em conferi essa história que parece ser ótima.

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  12. Não tinha ouvido falar nesse livro ainda, sua resenha ficou bem completa, deixou minha curiosidade lá no alto!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem post novo sobre séries no blog, vem ver!

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  13. Olá =D

    Desde que vi este lançamento fiquei bem curiosa para conferir. E gostei de ler sua resenha, apresentando mais sobre o livro. Por tudo o que você citou, tenho certeza de que eu vou gostar muito desta leitura =)

    Beijos,
    Livy
    nomundodoslivros.com

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  14. Conheço pouco da cultura grega, mas o que conheço, acho fascinante!!
    O livro parece ser bem escrito e intercalado, sem lacunas e superficialidades.
    A capa é muito bonito, e tem um que de crescimento, dá a impressão mesmo de que a personagem vai se transformar durante a trama.
    Já marquei aqui, quero sim!!
    bjãooo
    elvisgatao.blogspot.com

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  15. Parece ser bem interessante, acho que a forma que a autora vai explorar os mistérios dessa histórias vai ser incrível.
    bjs

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  16. Olá Rafaela,

    Não conhecia o livro e achei bem interessante, bom saber que lhe agradou bastante, gostei da capa também, dica anotada....bjs.

    www.devoradordeletras.blogspot.com.br

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  17. Nao conhecia esse livro ainda e amei a capa *-* seria daqueles livros que eu compraria so pela capa (se fosse rica kkk e nao tivesse uma lista gigante para comprar)
    FIquei curiosa pra ler esse roamnce, achei alguns pontos diferentes do que eu costumo ler e lerei com certeza. Espero que goste

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  18. Primeira resenha que vejo deste livro e me apaixonei, tanto pela trama quanto por sua crítica.
    O livro parece ser encantador, nos envolvendo de forma natural e fazendo que os personagens nos conquistem pouco a pouco.
    O cenário escolhido não poderia ter sido melhor. Apesar de não conhecer profundamente a cultura grega, ela me fascina e sempre me deixa curiosa.
    O romance e a redescoberta da personagem sobre si mesma e tudo que a cerca parece muito gostoso de acompanhar.
    Certamente darei uma chance ao livro e espero gostar tanto quanto você.
    Abraços

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  19. Rafa, que resenha linda!
    Primeira vez que ouvi falar desse livro e ja me apaixonei. Adorei o nome, a capa e principalmente o cenário escolhido. Nunca li nenhum livro que se passa na Grécia e logo que li sua resenha ja me vieram lindas imagens (daquelas que se passam nos filmes).
    Adorei sua resenha, ela me fez colocar esse livro na minha lista haha.
    Beijos

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  20. Sou apaixonada pela Grécia. Pena que não pude ir até lá ainda. Um dia, quem sabe... A resenha me pegou de jeito e me deixou com um gostinho de quero mais. Falando das tradições culinárias, que eu amo, junto com uma pessoa forte (a avó) e o encontro da personagem com si mesma faz com que eu tenha ainda mais vontade de ler.

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  21. Oie
    Adoro ler livros que se passem em lugares mais exóticos e que a maioria não usa nas suas histórias.Esses livros onde a personagem para pra repensar sua vida sempre me interessa.,ainda mais com um cenário maravilhoso desses.Os personagens parecem ser bem divertidos e interessantes.O enredo lembra até aqueles filmes.
    Beijos

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  22. https://www.facebook.com/flavia.regobarros/posts/955235414522560
    PARTICIPANDO!
    EMAIL: flaviarego@bol.com.br

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  23. Amei a resenha, quero muito ler o livro completo! Parabéns!! :)

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  24. A Grécia é meu sonho de consumo, comida mediterrânea é tudo de bom, gostosa e saudável. Quem disse que uma história tem que ser totalmente diferente de tudo que eu já li para ser envolvente e agradável? Quero ler sim, gostei muito da premissa do romance.

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  25. Primeira resenha que leio sobre esse livro e sabe o que eu gostei nele? Foi o fato de que ele mostra as diversas formas de amor. Seja nas relações de mãe e filha e o de um homem e uma mulher. Acho que isso aliado com uma narrativa de persoonagens carismaticos como você bem apontou na resenha deve deixar esse livro melhor ainda de se ler. Espero ter a oportunidade de ler.

    Beijos

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  26. nao conhecia este livro . axei a historia atraente convidativa.
    desejo adiquiri-lo.

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  27. Esta foi a primeira resenha que li sobre a história. Gostei de conhecer a trama. Parece ser bem envolvente. Fiquei curiosa ao ler a sua resenha e espero poder ler logo também. Obrigada pela dica. Amei.
    Beijos.

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  28. Gostei da resenha, apesar de longa, deu vontade de conhecer mais sobre a história. Tbm concordo que o título original é bem mais interessante, mas a capa não me agradou tanto.

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  29. o livro me interessou por se tratar de um leitura leve e independente (coisa rara hoje em dia), adoro quando personagem secundários roubam a cena e tomam conta do pedaço, vou ler com certeza.

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  30. Não gostei da capa do livro, mas pela resenha deu pra perceber que é um livro bem gostosinho de ler. Os personagens parecem ser bem carismáticos e a yia-yia parece ser uma fofa!! Não é o meu estilo preferido de leitura, mas se tiver a oportunidade com certeza lerei!

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  31. Não conhecia a Yvette, assim como, também, não sabia dos seus variados prêmios e a sua primeira obra publicada. Um Romance Grego foi uma estória que não me interessou por conta da enorme confusão que fez-se em minha mente.

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  32. Haha ler livros que falam sobre comida é um perigo quando se está lendo com fome, e mesmo que não esteja com fome, da fome igual haha, achei bem interessante este livro, fiquei bem curiosa em relação a história, pretendo ler.

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  33. Acho muito legal livros que mostram cultura e coisas de outros países assim. Não conhecia esse, é a primeira resenha que vejo dele. Tem um ambiente que pelo jeito é lindo, fala de comidas (adoro pesquisar depois, é interessante ver do que estão falando e babar querendo comer xD ) e tem uma trama bem legal, acho que adoraria essa leitura.

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