Resenha de "Ligeiramente Casados", Os Bedwyns #1

Os romances de época atingiram em cheio meu coração mole para (boas) histórias de amor. Afinal, quando bem escritas, são histórias deliciosamente cativantes e leves - daquelas que dão alegria de acompanhar cada casal e personagem secundário.
"Eve não entendia por que se sentia tão estranhamente alegre. Não devia sentir-se assim ao se lembrar do que acontecera naquela manhã e de tudo o que precisara sacrificar. Mas, assim como Atlas, ela sentia como se um enorme peso houvesse sido retirado de seus ombros. Agora era tarde demais para fazer outra escolha. O acordo estava selado. Não adiantaria nada se lamentar ou desejar que nada daquilo houvesse sido necessário."
Em Toulouse, 10 de abril de 1814, o capitão Percival Morris está à beira da morte e é encontrado pelo coronel lorde Aidan Bedwyn, que estava observando o campo de batalha. Durante os minutos que lhe restam, Morris pede ao coronel que notifique pessoalmente sua irmã sobre o seu falecimento e a proteja "custe o que custar". Como um homem de honra e palavra, Bedwyn aceita de imediato, afinal, em outra circunstância, o capitão havia salvado sua vida e agora ele teria de pagar a dívida.

Enquanto isso no Solar Ringwood, em Oxfordshire, Eve Morris aguarda pelo retorno de seu querido irmão e de um antigo amor. Com 25 anos e dona de uma fortuna considerável, ela tem muitas responsabilidades, dentre elas, cuidar de pessoas rejeitadas pela sociedade. Quando recebe a visita do coronel, o mundo dela desaba não só pela morte do irmão, como também pela consequência de tal acontecimento. 

O grande problema é que, no testamento, o pai de Eve lhe deixou de fato a propriedade da família, mas sob uma condição: que ela se casasse antes do primeiro aniversário da morte dele - o que irá acontecer em quatro dias. E agora, o que fazer? Seu antigo amor não voltou, sua casa e fortuna estão por um triz, todas as pessoas, pelas quais ela é responsável, serão despejadas e pior, seu primo Cecil não vê a hora de herdar a casa.

Colocando em prática sua promessa, Bedwyn percebe que a única solução para o problema de Eve é um casamento de conveniência - com ele. Dessa forma, ela manteria sua casa, fortuna e a confortável vida no campo; enquanto ele pagaria sua dívida e poderia voltar à normalidade. Após uma recusa inicial, Eve aceita o acordo e eles se casam com uma licença especial em Londres. Agora, cada um voltaria à sua zona de conforto, finalmente!

Todavia, o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre a verdade e não admite que a nova Bedwyn seja mantida às escondidas, afinal, certos burburinhos já começaram, e exige que ela seja apresentada à rainha e aos demais membros da aristocracia. O coronel é contra, mas antes que possa fazer algo sobre, seu irmão busca Eve e a leva para Londres. Chegando lá, Eve terá de ser devidamente preparada para os eventos formais e aguentar o esnobismo de todos ao redor, inclusive de seu próprio marido.

Dias se transformam em semanas. Impessoalidade, em uma forte atração física - e talvez, quem sabe, em algo mais. Durante esse período na Bedwyn House, o pseudo casal começará a se questionar como seria estar casado de verdade, não apenas no papel, mesmo com o peso da comodidade, de sonhos antigos e do próprio acordo pesando sobre suas cabeças.
"Ela era como uma promessa de primavera desabrochando no solo árido do inverno da vida dele."
A história é narrada em terceira pessoa e traz ao leitor os pensamentos, anseios e desejos mais íntimos de Aidan e Eve, especialmente do primeiro. Através da narrativa é possível acompanhar a união de duas pessoas distintas, independentes e acomodadas em suas respectivas vidas e rotinas, mas que, aos poucos, se abrem para novas possibilidades.

É interessante ver tais mudanças em prática. Por um lado, vemos uma Eve tornando-se ainda mais madura, forte e tentando lidar com seus sentimentos, mas mantendo a bondade e o altruísmo; por outro lado, há um Aidan sisudo, determinado e nobre, mas que também tem um lado sensível e amoroso. Gostei muito do modo como o amor deles foi construído, paulatinamente e com paciência, pois tornou o acontecimento mais crível. Além disso, outro ponto bacana foi a abordagem acerca do casamento como sendo uma espécie de negócio, um acordo entre as partes envolvidas; em outras palavras, foi tratado, ironicamente, de forma condizente com a realidade da época.

A família Bedwyn demorou para me conquistar - com exceção de Alleyne, Morgan e Rannulf -, compreendo o esnobismo e o ar superior que vem com a posição deles, mas a frieza e a insensibilidade foram irritantes e gratuitas. É claro que, depois de alguns capítulos, passei a entendê-los melhor e eles começaram a me cativar. Não é uma família receptiva, acolhedora e simpática à primeira vista, mas que merece uma oportunidade.

Os personagens secundários, que fazem parte da "família" de Eve, são cômicos e encantadores, cada um a sua própria maneira. A sra. Pritchard, ou tia Mari para os íntimos, é um doce e age constantemente como uma casamenteira, em outras palavras, a diversão é garantida. Aliás, as cenas com as crianças órfãs foram tocantes e fofas, assim como a aproximação deles com o casal. O primo Cecil, assim como o antigo amor de Eve, são dignos de pena - ou raiva mesmo - e causaram boas reviravoltas.

Todas as tramas e problemas paralelos se resolvem rapidamente, o que eu achei maravilhoso, pois não aprecio demora ou cenas desnecessárias. Contudo, o problema central, isto é, o casamento de conveniência, não se soluciona facilmente e, por mais incrível que pareça, não ficou maçante e tedioso, visto que foi coerente dentro da história.

Inglaterra e século XIX sempre serão temas convidativos para mim e certeiros também, pois os adoro infinitamente. Portanto, essa série me encantou a partir disso e depois, com sua história bem escrita, além de seus personagens e declarações passionais. Gostei da capa, pois a garota parece bastante com Eve e a revisão do livro foi muito bem feita. Ligeiramente Casados é o primeiro livro da série Os Bedwyns, composto por seis volumes.
  • Escrito por Mary Balogh.
  • Editora Arqueiro.
  • Tradução: Ana Rodrigues.
  • 288 páginas.
  • Disponível em todas as livrarias.
  • Recomendo. :)

20 comentários:

  1. Rafaela!
    Nossa! Fiquei até sem fôlego.
    Uma trama bem desenvolvida e totalmente apaixonante.
    Fiquei encantada e muito curiosa por saber em que vai dar esse casamento de conveniência...
    Quero conhecer todas as personagens inclusive as secundárias.
    Bom final de semana!
    “O segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros.” (Alexandre Herculano).
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  2. A história é encantadora. Cada vez mais apaixonada por este estilo de romances. são mais encantadores e apaixonantes.Sem contar o primor dos detalhes daquela época. Pra mim é simplesmente viciante. Espero conseguir ler este romance logo,pois estou super curiosa a respeito desses personagens.
    Beijos.

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  3. Eu gosto bastante de romances de época.. todo o cenário, vestuário e costumes chamam minha atenção..muito bom saber que o amo acontece de forma gradativa nesse livro e não esses amores estranhos que ocorrem do nada... um outro ponto a favor é saber que a protagonista parece ser uma mulher forte...

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  4. Gosto muito de romances de época e achei bem legal o tema desse.
    Deve ser bem horrível ter de se casar com alguém forçadamente, mesmo que pelas circunstancias. Naquela época, casamento era algo muito importante, e quem era moça solteira, não era bem visto pela sociedade, não sei se eu conseguiria viver numa sociedade assim.
    Gosto de livros que mostram a evolução dos personagens, dá mais vontade de ler.
    Quero muito ler esse livro, essa série parece ser muito boa, apaixonante.
    Beijos!

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  5. eu adoro romances de época, as series que eu li desse tipo foram Os Bridgertons e Os hathaways e amei, ja Os Bedwyns parece tao boa quanto as outras e eu to querendo muito ler.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Não custo ler romances de época, mas sei que a Arqueiro está investindo bastante no gênero e conquistando bastante fãs pelo conteúdo. Além do conteúdo ter me agradado, eu adorei saber que os personagens secundários tem um lado divertido, fazendo com que a leitura se torne leve e fluída!

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  8. Eu amei esse livro, achei bom o fato de a autora não enrolar em desenvolver o romance para no final chegar e "tuf" amor eterno! Gostei mto da escrita msm a narrativa sendo em terceira pessoa! Estou louca pelo próximo!!!

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  9. Oi, Rafa. Adorei tua resenha e confesso que fiquei interessada para ler o livro. Adoro personagens cômicos, mesmo que sejam secundários como você disse. Sou adepta a livros em 3ª pessoa porque me proporciona uma leitura imparcial rs.
    Adorei e vou querer ler, sem dúvidas.

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  10. Tenho muita vontade de ler esse livro. A capa é linda e adoro romance de época. O que não gostei muito foi ser de serie que depois demoram horrores para lançar os outros.

    Blog Prefácio

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  11. Oi Rafa!
    Também detesto cenas desnecessárias. Nada pior do que estar ansioso por um acontecimento e ter que ver o autor ficar enrolando em algo sem importância.
    Outra coisa que incomoda são os romances relâmpagos. Ainda bem que Ligeiramente Casados não cometeu nenhum desses deslises.
    Embora não seja meu estilo de leitura, sei às vezes tudo que queremos é uma leitura assim: leve e despretensiosa. Que bom que os romances históricos têm funcionado para você.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  12. Oi! :)

    Quero muito ler esse livro. Ele parece ser muito bom! A história parece ser envolvente e cativante, tenho muita curiosidade em ler Mary Balogh, quem sabe eu não leia logo!!
    Já está na minha lista. <3
    Adorei sua resenha.

    Beijos!

    http://lendoferozmente.blogspot.com.br/

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  13. O que eu gostei nesse livro foi que ele começou pelo fim dos outros normalmente, o casamento. A gente passa o livro todo esperando isso quando a autora começa por ele, então a gente lê pra saber se esse casamento vai dar certo ou não. Gostei muito e tô esperando a continuação para ler. =)

    Bjs, @dnisin
    www.seja-cult.com

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  14. Rafa, também tenho um coração super mole para boas histórias de amor. Se são histórias de época, então, nem se fala.
    Estou até lendo no momento o 3º da Julia Quinn e seus maravilhosos Bridgertons.
    Já comprei o Ligeiramente Casados, mas ainda não comecei.
    Estou super ansiosa, ainda mais com os seus comentários me atiçando mais, hehe.
    Também gosto quando resolve mais rápido do que quando enrola muito.

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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  15. Não sou muito chegada em romances, e os de época não posso falar nada pois não tive a oportunidade de ler algum, e nem sei qual seria o melhor para começar.
    Essa coisa de se passar na Inglaterra "vitoriana" me chamou muito a atenção e ainda bem que as coisas não ficam enroladas para se resolverem.

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  16. Confesso que não tenho muita paciência pra enrolação de livro nenhum, então esse já ganhou pontos comigo. Fora que eu amo romances e de época então, acho puro luxo. Vou lê-lo, com toda certeza do mundo.

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  17. Oi Rafa!
    Achei a construção desse romance bem realista, tanto em relação aos sentimentos dos personagens, quanto aos costumes da época, o livro me conquistou aos poucos e ao final eu já estava apaixonada, aguardando pelos próximos volumes da série :)
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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  18. Adoro romances de época e esse é um dos que mais quero ler ultimamente.Histórias que envolvem casamento apenas por negócios sempre me atraem por que uma hora eles vão acabar se apaixonando de verdade.E eu nem li esse ainda mas já estou curiosa com o segundo,com aquela capa incrível.

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  19. Depois desta resenha preciso ler este livro imediatamente, já irei por como meta.

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  20. Eu sou doida por romances de época e essa série é uma das quais eu quero ler!
    Amo as capas dessa série o os títulos tbm!
    E romances de casamentos de fachadas são os melhores!

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