Resenha de "A Mulher de Preto 2: Anjo da Morte"

Antigamente, eu gostava de uma boa história de terror; hoje em dia, passo bem longe. Ironicamente, eu adoro os contos fantásticos de Maupassant e também me envolvi bastante com a leitura de A Mulher de Preto.

Por esse motivo, imaginem a minha empolgação (e um leve medo) quando soube que a sequência seria publicada e adaptada para o cinema. Portanto, me enchi de coragem e encarei de frente o gênero horror. No fim, foi uma ótima escolha!
"Agourenta e desoladora foram as duas palavras que vieram à mente de Eve enquanto olhava fixamente a fachada da Casa do Brejo da Enguia. A construção se erguia imponente e sólida, um antigo monólito de uma era passada, coberta por bruma e névoa, como a última lápide ainda firme em um cemitério decadente e em ruínas."
Inglaterra, outono de 1940. Enquanto Londres é bombardeada, a professora Eve Parkins busca proteção nas estações de metrô, assim como outros sobreviventes, e sorri constantemente para tentar lidar com a situação. Devido ao caos na cidade e para fugir dos horrores da Blitz, as crianças são afastadas de seus lares e levadas para a zona rural. Juntamente com a diretora Jean Hogg, Eve é a responsável por um grupo de oito alunos - Tom, Alfie, James, Edward, Joyce, Ruby, Flora e Fraser - e todos eles partem para Crythin Gifford, mais especificamente para a Casa do Brejo da Enguia.

Apesar de ter sido minimamente reformada, a casa continua em péssimas condições, mas, por ora, é o único lugar onde as crianças podem ficar em segurança. Porém, ao chegarem lá, algo desperta e fica à espreita observando... Das sombras, surge uma mulher vestida de preto, vingativa e com planos malignos para todos eles. Logo na primeira noite, Eve passa por uma experiência perturbadora e também nota como o mofo nas paredes parece crescer enquanto ninguém olha, chegando a conclusão de que há algo de muito estranho e frio na casa.

A sensação estranha piora quando Tom e James trancam Edward em um antigo quarto de criança e ele sai de lá com um decrépito fantoche do Mr. Punch. Desde que Edward perdeu a mãe em um bombardeio, ele não fala com ninguém e Eve é a única que consegue se aproximar dele. Porém, após sair do quarto de criança com ele, Eve percebe que algo de ruim se desprendeu da casa e grudou em Edward. A partir daí, eventos bizarros acontecem e a professora terá de lidar com seus próprios fantasmas para entendê-los; juntamente com o capitão Harry Burstow, que conheceu no trem a caminho do campo, ela irá descobrir que a situação é bem pior do que pensava.
"Nenhuma das crianças percebeu quando, por trás da luz pálida e bruxuleante das velas, uma sombra se destacou das outras e se moveu em direção a elas. Vestida de preto, o rosto branco como osso, ela se aproximou e parou atrás delas. Enquanto o grupo olhava para o avião, ela observava as crianças, seus olhos pretos como carvão dançando com uma maldade evidente. Olhando para o grupo, escolhendo..."
A história da Mulher de Preto foi criada por Susan Hill em 1983, mas a continuação foi escrita por outro autor em 2013. Fico contente em informar que Martyn Waites conseguiu manter a essência e os detalhes da história, ao mesmo tempo em que escreveu algo autêntico. A Mulher de Preto 2 é ainda mais assustador do que o primeiro livro, tanto porque o fantasma apareceu constantemente, como também os eventos foram mais intensos - a música sobre a mulher, por exemplo, me deixou arrepiada.

A narrativa em terceira pessoa faz com que o leitor adentre o consciente de cada personagem, inclusive da própria Jennet, vulgo mulher de preto. Caiu como uma luva, pois foi bem mais instigante acompanhar várias perspectivas e também deu mais fluidez a própria narrativa, conectando da melhor forma um capítulo ao outro. Todavia, cabe ressaltar que o foco da narrativa esteve nos personagens: Eve, Edward e a Mulher de Preto.

Com uma linguagem simples, porém com um tom sombrio, e capítulos bem curtos, a leitura flui muito rápido - tanto que li o livro em dois dias - e consegue te envolver da primeira até a última página. Outro ponto positivo é que, além do aprofundamento dos personagens e da história em si, a própria casa foi caracterizada como a personificação do mal, parece que ela vive e sucumbe às vontade da Mulher de Preto. Conforme os tristes e terríveis acontecimentos invadem os personagens, a casa muda e adquire um ar mais maléfico e arruinado.

Todos os personagens possuem um passado sombrio e triste, ou foram muito afetados pela guerra. O capitão Harry Burstow foi o meu preferido, pois, além de ser carismático, divertido e misterioso, ele acreditou e ajudou Eve de imediato. A Srta. Parkins é muito corajosa e responsável - às vezes, tola também, pois não consigo acreditar como alguém ficaria em uma casa isolada como aquela, especialmente depois de ter visto um fantasma! Ela tem um carinho enorme por Edward e nunca desiste de tentar trazê-lo de volta. Jean Hogg é durona, cética, prática e sempre esconde sua emoções; no começo, ela pode ser bem chata, mas depois, torna-se mais receptiva. As crianças também tiveram bastante destaque, algo que me agradou muito.

Assim como o primeiro livro, esse termina com um toque de esperança (?), mas de forma brutal. Como uma típica e clássica história de terror, o desfecho é o ápice do medo e da adrenalina, uma luta contra o tempo e com algumas perdas / mortes, mas também, a tentativa de um recomeço. Assisti ao filme na terça-feira, levei uns bons sustos, mas, apesar de ter gostado, esperava muito mais; o livro é infinitamente mais assustador do que o filme, acredite. Aliás, gostaria muito que a última cena na casa tivesse sido mantida igual. Entretanto, eles foram fiéis ao livro, especialmente nos diálogos.

A capa ficou incrível e me causou calafrios quando a vi pela primeira vez. Gostei bastante da fonte do texto, as letras são diferentes e maiores do que o normal; e a revisão foi muito bem feita. Além disso, os títulos dos capítulos são tão intrigantes que é impossível não continuar lendo para saber mais a respeito. É uma leitura que vale muito, muito a pena. Por isso, aproveite essa sexta-feira 13 para encarar a Mulher de Preto e a Casa do Brejo da Enguia - se tiver coragem, rs.
  • Escrito por Martyn Waites.
  • Editora Record.
  • Tradução: Rodrigo Abreu.
  • 303 páginas.
  • Leia também: A Mulher de Preto (link).
  • Disponível em todas as livrarias.
  • Recomendo. :)

14 comentários:

  1. Eu gosto bastante de histórias de terror, mas sempre me decepciono com as que leio. A maioria não dá medo algum. Não conhecia esse livro ainda e me interessei pelos dois. Se der vou ler.

    Blog Prefácio

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  2. Eu nunca li uma história de terror, e eu queria saber qual a emoção de ler uma, e essa parece ser uma ótima opção, eu quero ler o primeiro, parece ser uma história incrível, sem falar que esse filme ta sendo falado de mais nas redes sociais e eu queria muito assistir....

    dá uma passadinha por lá: http://ospapa-livros.blogspot.com.br/

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  3. Eu já vi o filme A Mulher de Preto e simplesmente adorei, desde então tenho vontade de ler o livro mas sempre que acho ele nas livrarias está mais de R$35,00 e acabo passando outros na frente, mas sua resenha me empolgou muito para ler o livro, muito mesmo, simplesmente adorei a forma como você o descreveu :)
    Seguindo e ADORANDO o blog!!!
    Beijos.
    Se der, dá uma passadinha no meu blog: Blog Palavrear-se :)

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  4. Oi Rafa, tudo bem?

    Adoro leituras instigantes, mas não curto muito esse ar sombrio, não. Prefiro algo um pouco mais leve. Por isso acho que não leria o livro.

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  5. Não sei como você conseguem ler livro assim. Só de ler a sinopse e a resenha já me borro toda. kkkkkkkkkkkk Sou a pessoa mais medrosa que existe, mas se você gostou, então tá valendo. =)

    Bjs, @dnisin
    www.seja-cult.com

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  6. Oi Rafa! Eu comprei esta semana e não vejo a hora de ler, só depois verei o filme. Eu espero sentir medo, algo que não aconteceu no livro anterior, mas mesmo assim quis conferir este pois parece ser mais complexo que o outro.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  7. Eu tenho o primeiro livro e nem li ainda :(
    Vou comprar o segundo livro, assim eu me animo mais!!

    Assisti o o primeiro filme e gostei bastante, este ainda não, mas irei assistir com certeza.
    Você sabe que eu adoro terror!

    Amei a resenha!! Super sombria. Perfeita!!!

    Bjks

    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  8. Oi Rafa!
    Antigamente, eu também curtia mais terror (ai..as tardes de filmes de terror da minha adolescência, rsrs)
    Quanto a Mulher de Preto, eu li o primeiro, mas não gostei a ponto de ler o segundo.
    É sempre arriscado quando outro autor assume as rédeas da continuação, mas pelo jeito a essência se manteve e é isso que importa.
    Acho que o livro foi mais assustador para você porque lendo nós imaginamos (e nada pode ser mais assustador do que a nossa imaginação, né?).
    Beijos
    alemdacontracapa.blogpsot.com

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  9. Olá Rafaela,

    A capa é bem feita e a sinopse bem sinistra, sua resenha esta excelente, mas o livro não faz muito o meu estilo....obrigado por visitar o blog, seguindo aqui...parabéns....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  10. Oi Rafa!
    Fiquei assustada e arrepiada só de ler essa resenha, terror não é pra mim, mas saber que um dos narradores é a própria "assombração" me deixou bem curiosa.
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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  11. Já ouvi fala bastante desse livro e admito que ainda não tenho nenhum dos dois, mas fiquei muito curioso com a leitura e quero ler-lo log, já está na minha listinha de desejados! Bjs!!

    Parabéns pela resenha!

    http://lendoferozmente.blogspot.com.br/

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  12. Eu li so o primeiro livro, gostei bastante e do filme principalmente, mas esse segundo filme achei mil vezes melhor que o primeiro, então o livro tambem deve ser, to muito curiosa pra ler! Apesar de ter um pouco de medo rsrs o filme me deixou amedrontada!
    adorei a resenha, quero logo ler o livro!!
    bjs
    To seguindo ;*

    http://leitorapaixonada19.blogspot.com.br

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  13. Wow, parece ser bem legal! Mas espero que não o livro não engane igual o primeiro filme que eu achei bem sem ação, sem medo, sem sal, sem nada...
    ps: não me odeie, Rafa fã do Daniel, haha
    Seu blog tá lindo! Beijos!

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  14. eu ainda nao vi o filme mas to super ansiosa pra ler o livro que parece ser ótimo, faz um tempão que eu nao leio nada de terror.

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