Resenha de "Enclausurado"

Ian McEwan é um dos maiores escritores da atualidade e, em Enclausurado, traz algo inovador e genial, superando todas as expectativas possíveis — este foi um dos motivos para que ele se tornasse meu autor favorito, depois de Austen. ❤


Em Londres, de dentro da barriga de Trudy, um feto ouve todos os dias o rádio a fim de saber o que acontece no mundo, descobre novos sentimentos, torce para que os pais retomem o casamento e acompanha os planos ardilosos da própria mãe e do amante Claude para assassinar John, seu pai.

Apesar de John ser um poeta decadente, ele herdou um imóvel valioso, no qual sua ex-esposa mora atualmente, depois de expulsá-lo de lá. Enquanto passa por sentimentos conflituosos e dilemas em relação à mãe, o feto imagina como seria se conseguisse unir seus pais, tenta lidar com sua impotência diante das tramas horríveis que escuta durante a madrugada e reflete sobre guerras, vinhos, etc..
"Minha mãe está envolvida numa conspiração e, consequentemente, eu também estou, mesmo se meu papel consistir em fazê-la fracassar."
Inspirado em Hamlet, o livro mantém o tom dramático, mas apresenta situações muito engraçadas e surreais, sobretudo pela liberdade de ter um narrador que ainda nem nasceu e já conjetura sobre a vida e tudo o que ocorre no mundo de um modo ora sarcástico, ora sério e intelectual.

É muito fácil criar um vínculo com o bebê, que tem uma complexidade enorme, sendo inocente e consciente ao mesmo tempo, além de opinar sobre tudo o que ouve. Ele ainda possui um senso de humor incrível e um medo real de se tornar burro ao receber os fluidos de Claude ou ser esmagado toda vez que a mãe faz sexo, pois o amante é conhecido por ser repetitivo e pouco inteligente.

A leitura flui leve e rapidamente, tanto pela curiosidade para saber se os planos de Trudy e do amante darão certo como pelo narrador, que nos envolve desde a primeira página. Apesar do toque fantasioso, a história convence, impressiona e traz à tona vários sentimentos a partir de reflexões do bebê, que trata de temas atuais, sérios ou superficiais.

Só é possível conhecer os outros personagens pela perspectiva do feto, seja por sua imaginação e pelo o que escuta. John é cativante e gentil, mas tão inocente que irrita um pouco; já Trudy e Claude se merecem e são igualmente maldosos, porém, ela o supera (e muito) na esperteza e nos ardis.

De modo geral, a narrativa é bem detalhista e tem capítulos curtos. O desfecho, por sua vez, foi muito satisfatório e trouxe algumas surpresas. Adorei a capa e a quarta capa, que se referem ao tema, ao título em inglês (Nutshell, que significa noz) e a uma fala de Hamlet. Recomendo infinitamente essa obra-prima!


Referência: MCEWAN, Ian. Enclausurado. Tradução de Jorio Dauster. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. 199 páginas.
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You've got mail #23

Hey, leitores!

Como eu não escrevo um you've got mail há mais de dois anos, seria impossível mostrar todos os livros que comprei e ganhei nesse período, haha. Porém, aqui estão algumas das principais aquisições dos últimos meses.

  • A pequena sereia & o reino das ilusões (Louise O'Neill, editora Darkside). Eu adoro contos de fadas, então estou bem empolgada para conhecer esta versão. Aliás, achei a capa maravilhosa, e vocês?
  • Lady killers: assassinas em série (Tori Telfer, editora Darkside). Sempre gostei bastante de ler e assistir a séries policiais, sobretudo o canal ID, por isso acho que irei amar esta leitura.
  • Bem-vindo à casa dos espíritos (Christopher Buehlman, editora Darkside). Fiquei muito curiosa quando li a sinopse que fala sobre uma casa assombrada e invisível para a maioria das pessoas. Além disso, faz tempo que não leio histórias de terror.
  • 50 contos de Machado de Assis (selecionados por John Gledson, editora Companhia das Letras. Sempre preferi os contos do Machado, apesar de achar os romances incríveis, então estava faltando este clássico na minha estante.
  • Só os animais salvam (Ceridwen Dovey, editora Darkside). Achei a sinopse muito fofa e interessante, assim como a capa — a editora arrasa!
  • O conto da aia (Margaret Atwood, editora Rocco). Já li alguns contos dela e adorei, mas não sei por que ainda não li este romance. Agora que ganhei de presente, tentarei ler até o final do ano.
  • O sonho dos heróis (Adolfo Bioy Casares, Globo/Tag Experiências Literárias). Este livro veio na Tag Curadoria de abril, que será uma ótima oportunidade para conhecer autores diferentes.
  • Tipos incomuns: algumas histórias (Tom Hanks, editora Arqueiro). Tom é um dos meus atores favoritos, e quando vi que ele escreveu um livro, fui correndo comprar.
  • Lugar de fala (Djamila Ribeiro, Pólen Livros). É uma leitura super rápida, objetiva e necessária, recomendo! A Djamila é maravilhosa.
Vocês já leram ou conhecem esses livros?
Beijocas!
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Top comentarista: maio 2019

Hey, leitores!

Enfim, o top comentarista de maio está no ar! Lembrando que o leitor sorteado poderá escolher um dos kits abaixo.

Kit 1: O presente inesperado (série Spindle Cove), de Tessa Dare + marcadores.
Kit 2: Uma chance para o amor (série Spindle Cove), de Tessa Dare + marcadores.
Kit 3: A casa, de André Vianco + marcadores.


Regras:
  • Comentar em todas as postagens de maio.
  • Ter endereço de entrega no Brasil.
  • Preencher o formulário abaixo.
Avisos:
  • O resultado será divulgado neste post e nas redes sociais no dia 11 de junho.
  • Se o leitor sorteado não seguir as regras, outro sorteio será realizado.
  • O ganhador terá até 72 horas para responder ao e-mail.
  • O prêmio será enviado em até 60 dias.
Boa sorte a todos!
a Rafflecopter giveaway
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Nas telas: "A Maldição da Residência Hill"

Hey, leitores!


Em outubro do ano passado, estreou na Netflix uma série de terror chamada "A Maldição da Residência Hill", uma releitura do romance "A Assombração da Casa da Colina" de Shriley Jackson, que já teve outras adaptações.

Fiquem tranquilos, não há spoilers no resumo.

Quando os Crain compraram a residência Hill para reformar e vender, pensaram que seria apenas mais um trabalho, mas durante a estadia algo rompe a família. Anos depois, bem traumatizados, eles evitam se encontrar sempre que possível, vivendo com lembranças assustadoras e tentando focar no trabalho.

A distância só chega ao fim quando Nell (uma das filhas mais novas) entra em contato com a família em busca de ajuda. A partir daí, os Crain precisam se unir e enfrentar fantasmas e traumas referentes ao antigo lar para resolver assuntos inacabados e se salvar.


Entre acontecimentos do passado e do presente, a série mostra a perspectiva de cada personagem da família Crain, chegando ao ápice nos episódios finais. Com uma boa dose de sustos, ela conseguiu manter o suspense, o terror psicológico e o drama, bem como respondeu a todas as perguntas, prendendo a atenção.

O enredo é inteligente, bem escrito e elaborado, com diálogos e lembranças que apenas fazem sentido por completo quando vistos sob determinada perspectiva. Seu foco é o núcleo familiar, expondo aos poucos o que aconteceu com cada um e formando uma trama construída nos mínimos detalhes, que também aborda o vício, relacionamentos malsucedidos, a força da família, etc.

Ao longo de 10 episódios alucinantes, é possível conhecer Hugh e Liv, seus cinco filhos (Steve, Shirley, Theo, Luke e Nell) e saber como a casa da colina mudou a vida de todos. O enredo aproxima os personagens de quem assiste, provocando empatia e irritação, no caso de Steve e Shirley, que ultrapassaram o limite da chatice. Todos foram bem construídos, mas Theo, Luke e Nell são os melhores e superam toda expectativa. De longe, um dos pontos mais legais foi acompanhar o amadurecimento e o fortalecimento de cada um, sobretudo de Luke e seu pai.

Ocasionalmente, para quebrar o terror e o clima mais pesado, a série apresenta cenas engraçadas e fofas, a maioria protagonizada pela Theo ou por Luke e Nell (os gêmeos). Ainda que seja, em geral, uma história trágica, vale muito a pena assistir, pois ela é incrível e tem um final igualmente bom.

"A Maldição da Residência Hill" foi criada por Mike Flanagan e estrelada por Kate Siegal, Victoria Pedretti, Olivier Jackson-Cohen, Michiel Huisman, Elizabeth Reaser, Henry Thomas, Carla Gugino, entre outros.

A Netflix já confirmou a segunda temporada da série para 2020, intitulada "The Haunting of Bly Manor" e que será uma adaptação do livro "A Volta do Parafuso" de Henry James. Estou bem curiosa e espero que seja tão boa quanto a outra!

Vocês já assistiram? Gostam de histórias de terror?
Beijocas!
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Falando sobre: as leituras de março (2019)

Hey, leitores!


As leituras deste ano estão em um ritmo bem devagar, e eu consegui ler apenas quatro livros até agora, sendo dois em março. Em comparação a 2018, li muito menos, mas ainda tem muito chão pela frente para compensar, rs.

Peguei O bom filho emprestado em uma sexta-feira e o li em menos de três dias de tanta curiosidade. Apesar de saber ou deduzir o que aconteceria, pois adoro e estou acostumada a ler/assistir a histórias policiais e thriller, a narrativa choca e surpreende tanto pelo personagem principal como pelos detalhes e segredos.

O livro veio no kit de fevereiro da TAG Livros Inéditos (clube de assinatura) e foi escrito por You-jeong Jeong, que se inspirou em um trágico caso que ocorreu na Coreia do Sul. Eu nunca havia lido um romance coreano e gostei da experiência, também fiquei intrigada para conhecer outras obras da autora, que é comparada ao Stephen King  com razão, pois ela escreve muito bem.

Resumindo, certo dia, Yu-jin acorda com o forte cheiro de sangue e a ligação do irmão mais velho, que estava preocupado com a mãe. Quando ele olha ao redor, percebe que está cheio de sangue e, descendo as escadas do duplex, a encontra brutalmente morta. Durante três dias, enquanto tenta se lembrar do que houve na noite passada para desvendar esse crime, ele descobre os piores segredos da sua família e vários mistérios que o envolvem.

Já o segundo livro do mês se trata de Quando fui outro, uma seleção de poemas de Fernando Pessoa e cartas que ele escreveu para Ophélia (seu grande amor), organizada pelo escritor Luiz Ruffato.

Nessa antologia, o organizador priorizou não somente os poemas mais famosos de Pessoa e seus heterônimos, como também aqueles que falam de si mesmo e levam o leitor a descobrir as próprias emoções. Eu conhecia alguns deles, mas a maioria foi novidade, sobretudo os textos em prosa. Como eu adoro o Fernando Pessoa, sempre recomendo a leitura dos seus livros.

Vocês já leram ou conheciam estes livros? Eu curti bastante a proposta da TAG e assinei por um ano, se quiserem, posso mostrar os kits quando chegarem.

Beijocas! ❤

Referências:
JEONG, You-jeong. O bom filho. Tradução de Jae Hyung Woo. São Paulo: Todavia, 2019. 288 páginas.
PESSOA, Fernando. Quando fui outro. Seleção e organização dos poemas: Luiz Ruffato. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. 224 páginas.
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Top comentarista: abril 2019

Hey, leitores!

Está no ar o top comentarista de abril. Dessa vez, os 4 livros da série Contos de Fadas (de Eloisa James, editora Arqueiro) estão disponíveis, e a pessoa sorteada poderá escolher 2 deles.

Conheçam os livros: Quando a Bela domou a Fera, Um beijo à meia-noite, A duquesa feia e A torre do amor


Regras:
  • Comentar em todas as postagens de abril.
  • Ter endereço de entrega no Brasil.
  • Preencher o formulário a seguir.
Avisos:
  • O resultado será divulgado neste post e nas redes sociais no dia 3 de maio.
  • Se o leitor sorteado não seguir as regras, outro sorteio será realizado.
  • O ganhador terá até 72 horas para responder ao e-mail.
  • O prêmio será enviado em até 60 dias.
Boa sorte a todos!
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Nas telas: "Dumplin'"

Hey, leitores! Que tal uma dica de filme adolescente para assistir nesta semana?


Dumplin' estreou na Netflix Brasil em fevereiro deste ano e é uma adaptação do livro homônimo de Julie Murphy, publicado pela Valentina. Estrelado por Jennifer Aniston, Danielle Macdonald, Odeya Rush, Bex Taylor-Klaus, Maddie Baillio, Luke Benward, entre outros, o filme parece um abraço quentinho de tão maravilhoso.

Também conhecida pelo apelido Dumplin' ou fofinha, Willowdean Dickson é filha da popular ex-miss Rosie, mas foi criada pela tia Lucy, que a ensinou a conviver muito bem com o próprio corpo desde criança, a fez conhecer Ellen, que viria a ser sua melhor amiga, e apresentou-a à sua cantora favorita: Dolly Parton.

Na companhia de El e Lucy, Will vivia tranquilamente, mas a morte da tia tornou a relação com a mãe mais difícil, sobretudo com a chegada da nova temporada do concurso de beleza organizado pela ex-miss. Com tantos sentimentos à flor da pele, quando percebe que Bo (o garoto da escola particular que trabalha com ela no Harpy's, uma lanchonete de fast-food) gosta dela, a jovem se assusta e começa a duvidar de si mesma.

Para desafiar os padrões impostos pela sociedade, homenagear a tia e contrariar a mãe, Will se inscreve no concurso Miss Teen Bluebonnet do Texas e convence El a ir junto, influenciando duas colegas de escola fora do padrão a participarem também. O caminho para recuperar a autoconfiança não é fácil e tranquilo, mas com a ajuda de pessoas queridas e muitas superações, ela tentará mostrar que a representatividade importa e que todas as garotas são sensacionais.


Dumplin' é o tipo de filme que aquece o coração, totalmente necessário nos dias atuais, provocando muitos sentimentos em quase 2 horas de duração  a gente chora, dá gargalhadas, fica com aquele sorriso bobo e às vezes faz tudo isso ao mesmo tempo.

O elenco combinou perfeitamente com os personagens, retratando pessoas fora e dentro dos padrões sociais e de beleza. Já o roteiro foi bem escrito e trata de muitos temas importantes, como empoderamento, representatividade, bullying, autoaceitação, processo de autoestima, preconceito, amor, relação entre mãe e filha, sororidade, companheirismo, gordofobia e lealdade, de forma leve e séria. 

Willowdean é uma heroína destemida, incrível e carismática (um mulherão), que se redescobre e aprende a cada situação. Durante o filme, pode-se acompanhar seu amadurecimento, sua luta por um mundo mais empático e as inseguranças da adolescência, principalmente para uma garota gorda. Eu torci do início ao fim por ela e queria, com certeza, tê-la como amiga.

As personagens femininas são fortes, inteligentes e inspiradoras, transbordando sentimento e amor-próprio. Lucy, El, Millie (sério, as pessoas deveriam ser mais como elas), Hannah e Rosie complementam a vida de Will de forma única. Já o grupo drag queen é definitivamente o melhor do filme, empoderado, divertido e acolhedor, aconselhando e ajudando a protagonista, bem como reaproximando-a da tia (fiquei apaixonada pelo Lee). Aliás, Aniston continua incrível!

Quanto ao aspecto romântico, a história fugiu do clichê, pois Bo (que homem!) é apaixonado por Willowdean desde o começo, antes mesmo de ela notar, o que me deixou muito contente. Considerando que as garotas comandam e iluminam o filme, a relação deles ficou em segundo plano, enfatizando que a vida não gira em torno do boy, assim, Will pensou primeiro nela mesma e no seu objetivo.

Já a trilha sonora está em perfeita harmonia com o filme, porque as músicas de Dolly Parton enaltecem o roteiro, surgindo em momentos importantes a fim de incentivar as personagens e quem está assistindo com mensagens fortes sobre amor-próprio, autoconhecimento, etc.


Beijocas! ❤
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